A primeira crônica de Drummond no “Estado de Minas”, 1934

Carlos Drummond de Andrade Crédito: Arquivo Imprensa Oficial / SLMG
Carlos Drummond de Andrade
Crédito: Arquivo Imprensa Oficial / SLMG

CONHEÇO UM PAIZ

Conheço um paiz em que as árvores crescem com uma rapidez e uma força espantosas. No espaço de alguns minutos ellas sobem, arredondam as copas, enchem-se de flores e dão aos tropeiros e vagabundos que passam grandes fructas vermelhas e summarentas. A velocidade com que tudo isto se desenrola torna accidentada a colheita e muitos desastres se verificam, muitas disputas se travam sob a protecção desta sombra que se multiplica a proporção que as palavras se cruzam ríspidas no ar. No campo vastíssimo as sementes não fazem senão germinar com um impeto constante e o horizonte dia a dia se afoga sob a profusão de galhos entrecruzados. Hontem o sol penetrou a custo na ramaria densa onde dizem que nenhum passaro conseguiu ainda fazer o seu ninho precario. Será que natureza está disposta a continuar neste jogo violento?”

(Trecho da primeira crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada no “Estado de Minas”, em 28 de outubro de 1934)

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