Suplemento Literário de Minas Gerais

 DSC_9215

 Criação de Murilo Rubião, o “Suplemento Literário” do Minas Gerais foi lançado em setembro de 1966. Em 2016, portanto, a publicação completa 50 anos de existência, no mesmo ano em que se celebra o centenário de nascimento do escritor mineiro. O jornal nasceu vinculado à Imprensa Oficial, mas em 1994 foi transferido para a Secretaria de Estado de Cultura, e desde então passou a se chamar Suplemento Literário de Minas Gerais.

Em 2011, para comemorar os 45 anos do SLMG, uma edição do jornal reuniu 45 depoimentos de leitores que eram também colaboradores do jornal. Leia a seguir alguns desses textos, intercalados com imagens da exposição “45 anos do SLMG: uma história através das capas” – que reuniu algumas das “primeiras páginas” de edições especiais, ao longo dos anos. A montagem da exposição, no Palácio das Artes, foi feita pela Superintendência de Museus e Artes Visuais (Thiago Carlos Costa e Fernanda Camas).

DSC_9229

Recebo e leio o Suplemento, sem dúvida uma das mais relevantes publicações  sobre literatura. Talvez seja o único suplemento cultural a dar tanta ênfase  à poesia, essa arte da imensa minoria, como disse Juan Ramón Jiménez. A diversidade e a qualidade dos textos são atributos do Suplemento, como mostram as edições temáticas. Atualmente os livros de auto-ajuda são rotulados de ficção, e best-sellers banais são celebrados como se fossem  romances. Por isso, é necessário retomar critérios críticos quando o assunto  é literatura. Há outra coisa que admiro no Suplemento: seu inconfundível traço mineiro. Às vezes descubro a obra de um autor, garimpada pelo Suplemento. Gosto dessa mineração do outro e do olhar que Minas lança sobre
a literatura brasileira. (Milton Hatoum)

 *

 O suplemento literário de Minas vem fecundando a cena literária brasileira como nenhum outro o fez. Durante décadas, suas páginas, como um oceano, se abriram para os autores canônicos da nossa literatura, escritores em progresso e, também, novos talentos. Tive a sorte de publicar meus primeiros contos nesse suplemento único, onde hoje continuam a vingar novos brotos em meio às suas raízes históricas. (João Anzanello Carrascoza)

 *

 O Suplemento Literário de Minas Gerais é talvez o ultimo sopro que nos resta de inteligência e cultura, e pesquisa e busca de valores, e confirmação dos verdadeiros valores. Tão bom abri-lo e descobrir ou redescobri autores que fizeram parte de nossa vida ou que ainda fazem parte de nós, de nossa alma, e que andam esquecidos, omitidos, olvidados. O Suplemento é e a renovação constante, a busca, a colocação em pauta., a recuperação sempre presente de valores que nos fazem sentir melhor e continuar a lutar, a escrever, compor, pintar, fazer filmes e tudo o mais. (Ignácio de Loyola Brandão)

*

Num terreno – o dos jornais de cultura – de imensa instabilidade, louvemos os 45 anos do Suplemento Literário de Minas Gerais. Acompanho-o, com alguns intervalos, desde o início da década de 1970, e conservo em meus arquivos numerosos (e esplêndidos) exemplares disseminados ao longo desse período. Destaco, em especial os “números especiais” dedicados a grandes escritores, e que se tornaram fonte indispensável de informação para professores e estudantes das Faculdades de Letras. Seria, aliás, muito desejável que o Suplemento viesse a nos brindar com um livro que recolhesse alguns dos antológicos ensaios pioneiramente estampados em suas páginas. (Antonio Carlos Secchin.)

*

Como leitor brasileiro e interessado centralmente pela obra literária, tenho acompanhado o Suplemento Literário de Minas Gerais desde seu início. Nesta condição, só posso agradecer aos que o têm feito continuar, ao passo que os suplementos dos grandes jornais progressivamente nos abandonam. Para que meu agradecimento não pareça algo apenas pessoal: creio que a política contrária dos grandes jornais prejudica não só a literatura brasileira mas à sua cultura em geral, pois a literatura é o meio expressivo para o qual convergem a filosofia, a história e as ciências humanas. Ora, no momento em que se diz que o Brasil estaria dando um salto que o aproxima das grandes potências, é deplorável que as condições de produção cultural atrofiem. As autoridades devem crer que crescimento se limita a padrões econômicos. O Suplemento Literário de MG por sorte nossa não pensa assim. (Luiz Costa Lima)

DSC_9260

Como não nos é chegado o som estridente da corneta, mas o marulhar das palavras em frases leves e cadenciadas, de preferência sentidas e inteligentes, somos nós, os mineiros, inventores de revistas e de suplementos literários. Vale dizer: somos inventores para o consumo interno e exportadores para o Brasil de novas gerações letradas. As revistas têm tido vida passageira (Edifício, Tendência, Complemento…), mas o Suplemento Literário de Minas Gerais permanece colosso e impávido. Sucessivos diretores e equipes de jovens, inspirados por Murilo Rubião, têm administrado com competência e sensibilidade a radicalidade ou o conservadorismo das muitas e complexas fases da vida desse que hoje sopra 45 velinhas. Parabéns! (Silviano Santiago)

*

O Suplemento Literário de Minas Gerais
sempre foi e espero que continue a ser um raro respiradouro
na crescente asfixia da literatura e da poesia nos
cadernos culturais da nossa imprensa cotidiana.
Faço votos para que continue a desempenhar
esse papel e que dê espaço especialmente àqueles
que ousam fugir à obviedade canonizada
e buscar novos caminhos para o imaginário poético,
hoje tão cerceado e marginalizado.
Que aposte nos least-sellers. (Augusto de Campos)

 *

Quem quiser estudar a literatura brasileira produzida nos últimos 50 anos tem que necessariamente consultar o SLMG. O suplemento acompanhou de perto as tendências deste período, revelando escritores e recuperando autores esquecidos, além de apresentar, em traduções, os estrangeiros. Mesmo com altos e baixos, o SLMG vem cumprindo mineiramente, ou seja, sem estardalhaços, o seu papel dentro da cultura brasileira. (Luiz Ruffato)

 *

Dizem que, para cães, cada ano é igual a sete – ao contrário de para gente, em que cada é igual a cada. De um periódico literário, qual seria a conta certa? Se idade é o que amarra as duas pontas da existência: quando, em 66, Murilo Rubião fundava o Suplemento literário, atava a sua ponta (um 1916 em que a Independência nem era centenária, a República, uma dama nos seus 27), com a daquela rapaziada (a dama já uma vilipendiada senhora de 77). Dos tempos heroicos, uns permanecem (Rui Mourão estava num dos últimos números), outros, nascidos depois, esticam a ponta de cá, todos traçando as linhas que se inscrevem e se… Mais: como a ideia de literário do Suplemento sempre incluiu ensaios, então é que as pontas do tempo mais se alongam dos dois lados. E (proeza de ex-mágico!): tempo e espaço multiplicam-se no branco da página, que acolhe o que aqui e alhures (bem) se vê, se diz, se imagina, se pensa, se desenha, se lê e escreve. É provável que, para os cães, um seja igual a sete porque são eles filósofos e aprendem mais a cada. No caso do Suplemento, talvez 45 se iguale a tantas vezes quantos, porque o poiético é muitos – e o homem, em resumo: um animal literário. (Jacyntho Lins Brandão)

 * 

Suplemento Literário de Minas Gerais foi o primeiro jornal em que colaborei poeticamente. O poema enviado foi “Germinal”, que abre meu livro De corpo presente, que começava a ser escrito, no começo dos anos 70, e que só foi publicado em 1975. Cheguei a trocar uma ou duas cartas com o grande Murilo Rubião acerca da colaboração, pois foi através dele que cheguei ao tabloide que lia e leio até hoje com muito proveito. Entendo que é assim porque o SLMG sempre foi um jornal ecumênico que abrigava todas as tendências, o que o torna, 45 anos depois de sua criação, um Suplemento cuja a leitura é indispensável, pois forma e informa, generosamente, “pardais novos”, como dizia Manuel Bandeira, e os antigos, como eu. (Armando Freitas Filho)

* 

É sempre com expectativa que abro as páginas do Suplemento assim que ele chega pelo correio. Desde a capa caprichada, tudo causa prazer no leitor, que nele encontra matérias de críticos importantes, revê autores consagrados, amplia seus horizontes entrando em contato pela primeira vez com antigas e novas vozes literárias. Recebo e coleciono o Suplemento Literário de Minas Gerais há muitos anos, e de vez em quando dou uma relida em algum conto ou reflexão interessante de números passados. Creio que se trata do periódico cultural mais constante e vivo do Brasil. (Viviana Bosi)

 DSC_9257

Nenhum escritor se esquece do espaço onde primeiro publicou. Lembro-me da alegria de ver um conto meu, algo que pertencia apenas a mim, escritor iniciante, ganhar asas no Suplemento Literário e voar rumo a olhos alheios. Senti orgulho também. O Suplemento era a casa do Murilo Rubião e tantos outros grandes autores. Havia, ainda, o gesto democrático. O Suplemento era – e continua a ser – aberto a todos. Revela gente nova, oferece a quem chega a alegria e o orgulho da primeira vez. Que venham novos 45 anos para o Suplemento Literário. (Luís Giffoni)

 *

Murilo Rubião reinava sobre tudo e todos. Juntou uma turma dos meus melhores amigos para fazer o Suplemento Literário, obra ousada para os tempos do regime militar. Todos os sábados ele circulava, junto ao órgão oficial do governo, com o sumo em poesia, contos e ensaios. Tudo ilustrado pelos nossos melhores artistas. Entusiasmo, criação e juventude brotavam daquelas paredes do prédio da avenida Augusto de Lima com Espírito Santo. Bebíamos muita cultura e também cerveja, após o expediente, no Saloon, onde as conversas nos conduziam aos melhores sonhos literários, musicais, amorosos e políticos. Tínhamos certeza de que estávamos transformando, inventando o mundo. (Fernando Brant)

 * 

Desde sua origem — com Murilo Rubião — O Suplemento Literário de Minas Gerais divulga o que há de melhor e atual na literatura, em seus vários gêneros, enquanto nos acorda, sempre, para o que aqui houve. Se buscamos a história da Literatura Brasileira, nos últimos 50 anos — em Minas e além de Minas— o Suplemento Literário é fonte precisa para esse aprofundamento, Conhecer pela literatura é perceber tanto o real como o ideal. Seu rigor, em cada edição, nos surpreende e nos mostra novos rompimentos significativos e definitivos com o cotidiano da linguagem. (Bartolomeu Campos de Queirós)

 * 

Comecei a ler o Suplemento Literário de Minas Gerais em fins dos anos 70 e voltei a ele muitas vezes para pesquisas na década seguinte e depois. O “acervo” do SLMG está entre os mais importantes da história de nossos periódicos, com um conjunto estupendo de editores, designers, escritores, pesquisadores e artistas plásticos dos mais variados campos, sendo praticamente obrigatória sua consulta para quem queira conhecer literatura, cultura e arte. Mas esta relação com o SLMG acabou se tornando também afetiva pelo fato de diversos amigos terem editado o jornal a partir dos anos 90, quando passei a acompanhar sistematicamente a publicação. E até hoje não perco um número. Seus 45 anos de existência, enfrentando toda ordem de dificuldades, são um marco dificilmente superável e isso é motivo mesmo para uma grande festa! (Ronald Polito)

 *

 Ali por volta dos 18 anos, eu e um monte de jovens, líamos Ernest Hemingway e queríamos escrever no estilo do célebre escritor norte-americano. Pois aquelas minhas histórias juvenis acabaram por me levar até o Suplemento Literário, indicadas para publicação pelos escritores Angelo Oswaldo e Rui Mourão. Então, eu viajava cem quilômetros para entregar os textos nas mãos do poeta Adão Ventura, sempre muito gentil comigo na redação. Mas os meus anos de prosa duraram pouco e me agarrei apenas à poesia. Anos mais tarde, já trabalhando como artista gráfico, fui convidado pelo poeta Carlos Ávila, novo editor do SL, para fazer a reforma gráfica do jornal e seguir paginando-o. Com a troca de governo, Carlos saiu e eu continuei no SL, com o poeta Anelito de Oliveira como editor. Acabado aquele governo, foi a minha vez de sair. Parafraseando as três ceguinhas de Campina Grande, o que tenho a dizer é que o Suplemento Literário de Minas Gerais foi um campo grande onde pude exercitar com plena liberdade aquilo para o que nasci. (Guilherme Mansur)

 DSC_9262

 Sou leitor do Suplemento desde 1971, quando aos 17 anos me assumi como poeta e comecei a ler literatura de maneira sistemática, para me integrar ao meio e para aprender. Foi nessa época que me tornei frequentador assíduo de páginas literárias e publicações na área, para onde mandava meus poemas, da Brasília onde morava. Nem me lembro como fui incluído entre os destinatários do Suplemento de MG. Mas desde então, tem sido sempre uma alegria recebê-lo e lê-lo. Sempre gostei da diagramação tipo limpa dele. (Italo Moriconi)

 * 

Em 1977, sem conhecer ninguém da casa, sem ter colaborado antes e sem ser chamado, mandei para a redação do SLMG um artigo sobre Osman Lins, que ainda era vivo. Um pernambucano analisado por um paulista? Será que o pessoal de MG aceita? Não só aceitou como a dose se repetiu muitas vezes, no meu caso e no de tantos escritores brasileiros, de toda parte. É gratificante colaborar há tanto tempo num suplemento que sabe respeitar a tradição como matéria viva, sempre atento à renovação e à modernidade, que valoriza a prata da casa mas está sempre aberto à literatura de todo o país. (Carlos Felipe Moisés)

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s