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Reprodução do caderno Cultura, do Estado de Minas

No dia 14 de setembro de 2014, saiu no caderno Cultura, do Estado de Minas, uma matéria assinada pelo Carlos Herculano Lopes, falando sobre o projeto “Cartógrafos da vertigem urbana”.

Outros eventos públicos e matérias jornalísticas têm divulgado o projeto.

Em 13 de julho de 2013, a convite da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, apresentei a palestra “Os escritores e a cidade”, comentando as diversas imagens da cidade construídas por meio dos olhares de diferentes gerações e estilos de escritores.

Em 12 de outubro desse ano, em matéria de Carlos Herculano Lopes sobre Fernando Sabino, tive a oportunidade de falar sobre o autor de “O encontro marcado” Reproduzo, a seguir, a abertura do texto de Carlos Herculano, publicado no caderno Pensar, do Estado de Minas:

Nove anos depois da morte de Fernando Sabino, a obra do quarto cavaleiro do apocalipse (os outros três eram Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino) continua despertando o interesse de leitores e da academia. O poeta e professor de literatura Fabrício Marques, por exemplo, está concluindo o livro de ensaios ‘Cartógrafos da vertigem’, que começa justamente falando sobre o autor de O encontro marcado. Para ele, Sabino é um dos escritores mais importantes da sua geração.

“Meu livro começa com Fernando porque escolhi falar de BH a partir de alguns momentos importantes, como a inauguração do complexo arquitetônico da Pampulha no período que se convencionou chamar de modernidade tardia, que coincide com a saída dele da cidade”, revela.

Marques lembra que o autor belo-horizontino gostava de prosear sobre bares e locais da cidade. Em 2004, em visita a BH, Fernando Sabino traçou um roteiro. Ele foi à Savassi, à Praça da Liberdade, entrou na Rua da Bahia e, na altura da Academia Mineira de Letras, encontrou-se com o memorialista José Bento Teixeira de Salles. O amigo perguntou-lhe o que fazia ali. “Estou refazendo o caminho da saudade”, respondeu, dois meses antes de morrer.”

Em 18 de agosto de 2014, no encerramento da 9ª edição do Seminário Beagalê, com o tema “A literatura e a cidade”, participei de conversa com o escritor e jornalista Humberto Werneck e mediação do Christian Coelho.

Em uma reportagem do jornal Hoje em Dia, à época, a coordenadora do seminário, Fabíola Ribeiro Farias, disse que “a ideia [do seminário] é tentar entender de que maneira a literatura acontece na cidade, e de que maneira a cidade acontece na literatura”. “Como a literatura representa a cidade com seus conflitos, encontros, espaços, memórias e, ao mesmo tempo, qual o espaço que a cidade abre para que a literatura aconteça”. Ou seja, como os escritores circulam pelas cidades, como se lembram das metrópoles em suas obras. “E como a literatura e a cidade se constroem mutuamente”.

Origens

Entre os dias 20 e 27 de agosto de 2006, produzi nove páginas que foram publicadas no caderno Magazine, do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Nessa época, o diário circulava em formato standard.

Sob o título “Um passeio histórico e afetivo”, a chamada da capa, na primeira matéria da série, dizia: “Em uma série de reportagens que começa hoje, fotos raras e textos e depoimentos inéditos colocam em evidência poetas, contistas e romancistas das mais variadas gerações, que viveram em Belo Horizonte nas últimas seis décadas. O marco dessa história é o lançamento da revista Edifício, que revelou , em 1946, uma geração de talentos como Autran Dourado, que colocam a cidade ao mesmo tempo como cenário e personagem.”

Além dos 60 anos do lançamento da revista Edifício, 2006 marcava também os 50 anos da revista Complemento e os 40 anos do Suplemento Literário de Minas Gerais. Essa série, divulgada há nove anos, foi o ponto de partida para o projeto Cartógrafos da Vertigem Urbana.

Confira, a seguir, a reprodução de duas dessas páginas.

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Um passeio literário e afetivo pela capital mineira, de 1940 até hoje

Igreja São Francisco de Assis
Crédito: Sarah Torres / ALMG

De que forma a capital mineira está presente na obra de escritores e poetas? Que caminhos da cidade eles percorreram? Que itinerários seguiram tanto os autores quanto seus personagens? Quais as imagens que ganham corpo na prosa e na poesia? Quais os pontos principais que ganham relevo em suas vidas e de seus personagens? Como traçar uma geografia literária de Belo Horizonte?

Para tentar responder a essas perguntas, o projeto “Cartógrafos da vertigem urbana: versões de Belo Horizonte por seus escritores” compreende a publicação, ainda este ano, de um livro de texto e imagens (fotos e infográficos) em torno da relação dos escritores e poetas com a cidade no período dos anos de 1940 até o início do século 21.

É um passeio geográfico-afetivo sobre a cidade, a partir dos autores, seus personagens e suas imagens. A partir de hoje e nas próximas semanas, este blog abrigará informações sobre a produção do livro.

Sobre o texto do livro, é um ensaio experimental que procura combinar esforço jornalístico e pesquisa bibliográfica com o objetivo de identificar algumas imagens que foram construídas pelos escritores e poetas que viveram (morando ou visitando a cidade) na capital mineira num intervalo de seis décadas. Nesse período, percebe-se que os principais signos da capital mineira estão concentrados, nas obras desses autores, na Região Centro-Sul (especificamente o Centro e a Savassi), na região da Pampulha e em bairros como a Lagoinha.

Os principais personagens desse período de 60 anos são os próprios escritores e poetas, especificamente os que viveram na cidade em algum momento dessas seis décadas. Na orquestração da reportagem, eles e suas criações são colocados em choque, em campos tensionais cujo sentido é dado também pela própria sequência em que o texto se desenvolve, e pelo cruzamento tanto das memórias desses personagens quanto das histórias que protagonizam.

Alguns contextos são colocados em evidência, como os que envolvem as gerações que se organizaram em torno de quatro publicações: “Edifício”, “Complemento”, “Estória” e “Suplemento Literário de Minas Gerais”.

Para escrevê-lo, foram ouvidas mais de 60 fontes, além de pesquisados mais de 100 livros e dezenas de arquivos.

O livro, produzido com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, sairá pela Editora Scriptum, com programação visual do designer gráfico Júlio Abreu. A pesquisa iconográfica está a cargo do fotógrafo João Marcos Rosa, responsável pela fotografia dos lugares frequentados pelos autores, assim como aqueles espaços que aparecem de modo ficcional em suas obras. A designer Soraiva Piva fará infográficos que ilustrarão os pontos principais relacionados com os autores.

Ao longo do século passado e deste, várias gerações de escritores viveram parte ou toda a vida em Belo Horizonte. Na capital mineira, frequentaram locais que se tornaram importantes para eles, seja porque ali se encontravam com outros escritores, ou porque serviram de inspiração para escrever seus livros, ou mesmo porque nesses locais eles ambientaram personagens de suas obras.

Desse modo, o livro evidencia para os leitores esses locais que, em grande parte, são ignorados hoje pela população. Dizendo de outra forma: identificar esses lugares é uma forma de aproximar os leitores do mundo desses autores.

O marco inicial dessa história pode ser identificado com o ano de 1943, com a inauguração do conjunto arquitetônico modernista da Pampulha, formado pelo Cassino (hoje Museu de Arte), a casa do Baile, o Iate Golfe Clube e a Igreja de São Francisco de Assis. No Parque Municipal, Alberto da Veiga Guignard criava uma escola de arte moderna. Portanto, está-se lidando com o conceito de modernidades tardias, ou seja, da recepção desafasada, fora do tempo que se dá no cenário cultural de Belo Horizonte – laboratório da experimentação moderna.

Fica o convite, a partir de agora, para quem quiser acompanhar essa jornada.